Análise de Dados a Partir da Aplicação de Business Intelligence na Gestão de Projetos de SPCS: Uma Abordagem Integrada com Plataforma de Engenharia
Autores: Pedro Andrade | SM Energy, Eduardo Magalhães | SM Energy, Renata Fernandes | SM Energy, Adônis Belo | SM Energy
PALAVRAS-CHAVE: BI – Dashboard – Gestão de dados – SPCS – Plataforma de Engenharia – Integração – Métricas – Monitoramento

Resumo

O estudo analisa o impacto do Business Intelligence (BI) na gestão de projetos de Sistemas de Proteção, Controle e Supervisão (SPCS), integrando dados de fluxos de trabalho em uma Plataforma de Engenharia com um banco de dados centralizado. Foi desenvolvido um dashboard interativo que monitora o status dos projetos em tempo real, avalia desempenho e identifica atrasos, proporcionando maior transparência e eficiência. Com análises detalhadas, métricas e filtros, o dashboard auxilia na tomada de decisões e na melhoria operacional, promovendo agilidade e visibilidade nos processos.

1 INTRODUÇÃO

Conforme descrito em [1], a gestão eficiente de informações desempenha um papel crucial na operação de Sistemas de Proteção, Controle e Supervisão (SPCS), especialmente em um contexto de crescente complexidade das infraestruturas elétricas. A centralização e organização de dados confiáveis tornam-se elementos essenciais para assegurar a confiabilidade, eficiência e segurança na gestão desses sistemas. No entanto, a ausência de processos padronizados, falhas na rastreabilidade de documentos e dispersão de informações podem comprometer a qualidade dos dados e a eficácia da gestão.

Diante desses desafios, a implementação do projeto de Gestão de Documentos Técnicos de SPCS em uma empresa de transmissão de energia, surge como um projeto robusto na perspectiva de gerenciar todas as informações e processos referentes aos projetos desta companhia em um ambiente centralizado.

Para isso, a plataforma adotada na implementação deste projeto apresenta possibilidade de aplicação da metodologia EIM (Engineering Information Modeling), descrita por [2] e [3], em que todas as informações são centralizadas a partir da estruturação inteligente de dados, com um banco de dados orientado a objetos capaz de modelar dados complexos, organizar objetos hierarquicamente e permitir associá-los entre si. Essa abordagem, de acordo com o trabalho apresentado por [1], promove maior eficiência no gerenciamento das informações ao longo do ciclo de vida dos ativos. Além disso, a partir da implementação de um fluxo de trabalho, registra-se a atividade dos agentes envolvidos nos processos, o que promove uma comunicação mais eficiente entre as partes interessadas, reduz retrabalhos, otimiza os processos de tomada de decisão e aumenta a rastreabilidade e confiabilidade dos dados armazenados.

Dessa forma, a fim de contribuir com a tomada de decisão, a adoção de soluções como ferramentas de Business Intelligence (BI) surge como uma estratégia promissora para aprimorar o controle, a análise de dados e o desenvolvimento de empresas de energia elétrica [4]. A capacidade de integrar dados dispersos, oferecer visualizações interativas e possibilitar análises detalhadas, com suporte a tomada de decisão em tempo real, destaca o potencial do BI como um diferencial estratégico para empresas do setor elétrico.

Esse estudo teve como objetivo analisar o impacto da aplicação de Business Intelligence na gestão de projetos de SPCS, mediante a integração dos dados dos fluxos de trabalho em uma Plataforma de Engenharia com um banco de dados centralizado. Buscou-se desenvolver e implementar um dashboard interativo que permitisse monitorar o status dos projetos em tempo real, analisar desempenho e identificar possíveis atrasos. A solução buscou proporcionar uma visão, tanto histórica quanto atual, do progresso e dos responsáveis pelos projetos, auxiliando na tomada de decisões e na melhoria da eficiência operacional.

2 REVISÃO DA LITERATURA

[1] descreve a implementação do sistema de gestão de informações e processos de SPCS em uma empresa de transmissão de energia como uma iniciativa transformadora, tendo um impacto notável para o departamento de operação e manutenção da empresa. Desde a sua implementação, são observados os benefícios da modernização no acesso e na busca por documentos, alcançada graças à classificação validada de toda a documentação técnica com metadados. Outrossim, a possibilidade de armazenar a versão mais atual do projeto, junto a todas as versões aprovadas do projeto (desde o cadastramento do documento), possibilitou a rastreabilidade das modificações realizadas. Dessa forma, a implementação do projeto de Gestão de Documentos Técnicos de SPCS, a partir da aplicação da metodologia EIM e da utilização da Plataforma de Engenharia reforça a importância do investimento em tecnologia e inovações, essenciais para enfrentar os desafios contemporâneos do setor elétrico.

[5] e [6] definem o BI como um conjunto de ferramentas capaz de integrar aplicações e tecnologias que permitem a coleta, o armazenamento, o tratamento, a análise e a disseminação de informações que auxiliam na tomada de decisões. Com base em [7], o uso de dashboards e relatórios auxilia na implementação de uma gestão moderna e eficaz, permitindo alcançar os resultados esperados. As informações geradas e apresentadas aos gestores proporcionam uma visualização clara, favorecendo a compreensão e a tomada de decisões imediatas. Além disso, [8] destaca que a interface dos relatórios oferece flexibilidade, permitindo que os gestores adaptem e analisem os dashboards conforme as necessidades do momento.

No contexto de métricas e indicadores, a utilização de Key Performance Indicators (KPIs) – ferramentas estratégicas empregadas pela gestão para avaliar o desempenho de equipes e indivíduos em atividades específicas [9] – viabiliza o monitoramento em tempo real e facilita análises preditivas. Esses indicadores, integrados a dashboards de monitoramento centralizados, permitem que informações estratégicas sejam acessadas e utilizadas no planejamento e execução de projetos [10].

3 ESTUDO DE CASO

3.1 Estrutura dos dados na Plataforma de Engenharia

A Plataforma de Engenharia utilizada adota o conceito de Single Source of Truth (em português, Fonte Única de Verdade), permitindo a edição colaborativa e simultânea por múltiplos usuários, assegurando que todos os dados estejam atualizados e disponíveis em um único local. Ademais, oferece uma série de funcionalidades para facilitar o desenvolvimento de projetos, a elaboração de novas revisões e a análise de dados. Isso inclui recursos de modelagem customizável por meio de atributos, visualização de dados em formato de árvore ou de tabelas, e possibilidade de estabelecer filtros para consultas de dados.

Nesse banco de dados, é promovida a organização de documentos em uma estrutura hierárquica de pastas, segmentando-os em Regionais, Subestações, Proprietários e Vãos. Cada documento contém metadados, como sigla da subestação (SE), setor, evento, código do vão, última revisão, classe do documento, data da última revisão, entre outros. Adicionalmente, a plataforma oferece um assistente de fluxo de trabalho, que gerencia as etapas de desenvolvimento dos projetos e a interação com os agentes (Gerente, Projetista e Mantenedor) em cada fase. Esse recurso permite requisitar, monitorar e registrar processos no mesmo ambiente de desenvolvimento do projeto, com a opção de enviar e-mails automáticos para os envolvidos, conforme necessário. Além disso, o histórico e os dados de cada revisão são mantidos, servindo de registro para consulta e análise. A Figura 1 exibe a estrutura de dados nesta plataforma, juntamente com os tipos de dados que o objeto caderno consegue armazenar.

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Fig. 1. Estrutura de dados na Plataforma de Engenharia.

Assim, o banco de dados centralizado da Plataforma de Engenharia fornece dados de forma integrada para os dashboards que compõem a solução.

3.2 Preparação e exportação automática dos dados

Para atender os requisitos e especificações dos dashboards para a gestão dos projetos de SPCS um framework foi utilizado, considerando a manipulação automatizada de dados, garantindo eficiência e precisão no fluxo de informações. As rotinas configuradas na plataforma realizam a disponibilização dos dados em diferentes formatos, assegurando que sejam facilmente integrados ao ambiente de análise e visualização.

Essa abordagem integrada permite que os usuários do dashboard tenham acesso a dados confiáveis. O fluxo contínuo de disponibilização e atualização dos dados facilita a gestão dos projetos e garante que todos os envolvidos tenham uma visão atualizada das informações.

3.3 Elaboração das telas do dashboard

A elaboração dos dashboards para a gestão de projetos de SPCS foi um processo colaborativo, centrado na definição de métricas e visualizações que atendessem às demandas dos gestores da empresa proprietária dos dados. Este processo foi conduzido por meio de reuniões detalhadas com os gestores, nas quais foram identificadas as principais necessidades e pontos críticos para a gestão dos projetos. Nessas discussões, foram definidos os indicadores-chave de desempenho (KPIs), gráficos, listas e filtros que deveriam compor o ambiente visual do dashboard, garantindo que ele fosse capaz de suportar decisões estratégicas e operacionais. Entre os indicadores definidos, destacam-se:

• Métricas Gerais: Quantidade total de documentos, número de folhas e tipos de documentos;
• Métricas de Status: Progresso dos projetos, situação dos cadernos e atuação dos agentes em cada etapa do fluxo de trabalho;
• Métricas de Desempenho: Tempo médio para aprovação de revisões, número de revisões aprovadas e reprovadas, e identificação de responsáveis pelas tarefas;
• Monitoramento de Revisões: Número de revisões em andamento, responsáveis atribuídos e status de eventuais atrasos.

Todas as métricas foram projetadas para oferecer um panorama das condições dos projetos em tempo real, com a flexibilidade necessária para análises mais detalhadas, utilizando filtros aplicáveis em todas as abas do dashboard.

Após a definição das métricas e indicadores, foi desenvolvida a estrutura visual do dashboard. Antes de a solução ser disponibilizada com dados reais, o dashboard passou por uma fase rigorosa de testes utilizando uma base de dados fictícia. Essa abordagem garantiu o funcionamento dos gráficos e métricas, a usabilidade e a qualidade dos dados. Com a aprovação da solução baseada em dados fictícios, o ambiente foi configurado para se conectar ao banco de dados real da Plataforma de Engenharia, possibilitando atualizações automáticas e análises em tempo real.

4 RESULTADOS

A solução elaborada ofereceu uma análise abrangente dos dados por meio de visualizações dinâmicas, utilizando gráficos, tabelas e métricas que permitem interpretações rápidas e fundamentadas, promovendo uma gestão mais eficiente. As Figuras 2, 3, 4, 5, 6, 7 e 8 ilustram a visualização do dashboard com base em dados fictícios, sem refletir informações reais.

A primeira aba do dashboard fornece uma visão geral da documentação associada aos projetos de SPCS, apresentando métricas como a quantidade total de subestações cadastradas, o número total de documentos e de folhas, e a distribuição por tipo de documento. Essa visão panorâmica, representada pela Figura 2, permite uma compreensão rápida do escopo dos conteúdos gerenciados. Além disso, existe a possibilidade de aplicação de diversos filtros, tanto nesta, como nas demais telas.

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Fig. 2. Tela para consulta geral de documentos.

A segunda aba foca no acompanhamento do status dos projetos. Nessa seção, por meio de indicadores, gráficos e uma tabela (ilustrada na Figura 3), os usuários podem monitorar o progresso de cada projeto e a situação atual de cada caderno em relação aos agentes envolvidos no fluxo de trabalho. Essa abordagem facilita a identificação e promove uma melhor coordenação entre as equipes.

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Fig. 3. Tabela contendo informações sobre o status dos projetos.

Outro aspecto relevante do dashboard, ilustrado nas Figuras 4, 5 e 6, abrange a análise de desempenho relacionada às revisões realizadas nos cadernos de projetos. Entre os principais indicadores apresentados estão o tempo médio das revisões, o número de revisões aprovadas e reprovadas, além da identificação dos responsáveis por cada etapa do processo. O gráfico da Figura 5 apresenta a relação entre a quantidade de revisões e o tempo, permitindo uma análise temporal do desempenho, enquanto os indicadores da Figura 6 fornecem insights sobre o trabalho dos projetistas, possibilitando uma avaliação detalhada da qualidade dos processos de revisão e a identificação de oportunidades de melhoria.

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Fig. 4. Indicadores relacionados às revisões realizadas nos cadernos.
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Fig. 5. Gráfico relacionando a quantidade de revisões pelo tempo.
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Fig. 6. Indicadores relacionados ao trabalho dos projetistas.

A última aba do dashboard concentra-se na visualização das revisões em andamento, conforme destacado nas Figuras 7 e 8. Nessa aba, são apresentados o número de revisões em andamento e a identificação de atrasos em tempo real. Além disso, é possível consultar os responsáveis (Gerente e Projetista), junto às datas limite, de pedido e de início de cada revisão. A funcionalidade é complementada por filtros dinâmicos que também podem ser aplicados em qualquer parte do dashboard. Essa tela possibilita que os gestores possam identificar gargalos no fluxo de trabalho e tomar decisões que assegurem o cumprimento dos prazos estabelecidos.

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Fig. 7. Filtros e indicadores da tela de análise para revisões em andamento.
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Fig. 8. Registro de datas e dos agentes responsáveis pela revisão atual dos cadernos.

5 CONCLUSÕES

A gestão eficiente de Sistemas de Proteção, Controle e Supervisão requer soluções tecnológicas integradas que promovam a centralização, organização e análise inteligente de dados. Nesse contexto, a implementação de ferramentas de Business Intelligence, aliada a plataformas de engenharia, demonstrou-se uma estratégia eficaz para superar os desafios relacionados à complexidade crescente das infraestruturas elétricas. A abordagem adotada, baseada na metodologia Engineering Information Modeling, possibilitou a estruturação hierárquica dos dados, a rastreabilidade das informações e o acompanhamento em tempo real dos projetos, otimizando processos e melhorando a tomada de decisões.

Em complemento, a colaboração entre a equipe de desenvolvimento e os gestores foi fundamental para o sucesso do projeto, garantindo que as soluções implementadas atendessem tanto aos requisitos técnicos quanto às demandas estratégicas da empresa.

Como resultado, o dashboard atualmente fornece uma visão abrangente do status e desempenho dos projetos de SPCS, promovendo transparência em todas as etapas do ciclo de vida dos ativos. Isso permite que os stakeholders monitorem o progresso dos projetos e identifiquem eventuais problemas de forma proativa. Além disso, a análise de métricas importantes, como o tempo médio de cada revisão, o tempo de atraso em entregas e a quantidade de revisões aprovadas, aprovadas com atraso ou reprovadas, revela a produtividade dos agentes. Essas ferramentas possibilitam a identificação de riscos e oportunidades, promovendo maior eficiência na gestão.

Em conclusão, a aplicação de Business Intelligence integrada a um banco de dados de uma Plataforma de Engenharia demonstrou ser uma abordagem viável para melhorar a eficiência da gestão de projetos de SPCS. Esse estudo evidenciou de forma prática o impacto positivo da transformação digital no setor elétrico, demonstrando como tecnologias modernas podem ser aplicadas para superar desafios complexos e promover avanços significativos.

6 REFERÊNCIAS

[1] MAGALHÃES, E.; FERNANDES, R.; SOUSA, M. R.; FERNANDES, R.; SOARES, G.; SOARES, S. Implementação de Gestão Integrada de Informações e Processos de Projetos de SPCS em Plataforma de Engenharia na Eletrobras Chesf, XIX ERIAC – Décimo Nono Encontro Regional Ibero-Americano do Cigré, Foz do Iguaçu. 2023.

[2] CHEN, Y.; JIANG, W.; WANG, Y.; HU, J.; GUAN, L.; ZHU, Z. Research on Deep Learning-based AI information extraction methods of substation engineering design. In: 4th International Conference on Energy, Electrical and Power Engineering (CEEPE). IEEE, 2021. p. 971-976.

[3] MA, Z. M. Engineering information modeling in databases: needs and constructions, Industrial Management & Data Systems, [S.l.], v. 105, n. 7, p. 900-918, 2005. Disponível em: https://www.emerald.com/insight/content/doi/10.1108/02635570510616102/full/html. Acesso em: 22 de janeiro de 2025.

[4] HUYNH, T. N. G. Business intelligence in the electrical power industry. Dissertação (Mestrado em Economia e Administração de Negócios) – University of Vaasa, School of Management, Strategic Business Development. 2020. 75 f. Disponível em: https://osuva.uwasa.fi/handle/10024/11525. Acesso em: 22 de janeiro de 2025.

[5] SANGARI, M. S; RAZMI, J. Business intelligence competence, agile capabilities, and agile performance in supply chain. The International Journal of Logistics Management, v. 26, n. 2, p. 356-380, 2015. Disponível em: https://doi.org/10.1108/IJLM-01-2013-0012. Acesso em: 23 de janeiro de 2025.

[6] BOTELHO, F. R.; FILHO, E. R. Conceituando o termo Business Intelligence: origem e principais objetivos. Revista Sistemas, Cibérnetica e Informática. 2014, v. 11, nº 1. Disponível em: https://www.iiisci.org/journal/PDV/risci/pdfs/CB793JN14.pdf. Acesso em: 23 de janeiro de 2025.

[7] FERREIRA, A. A. P.; ALVES, N. T. F.; MORGON, S. F.; SANTOS, S. P. BUSINESS INTELLIGENCE: uma avaliação do uso na gestão de micro e pequenas empresas. SITEFA, v. 3, n. 1, p. 268-274, 2020. Disponível em: https://publicacoes.fatecsertaozinho.edu.br/sitefa/article/view/113. Acesso em: 23 de janeiro de 2025.

[8] TURBAN, E; SHARDA, R; ARONSON, J; KING, D. Business Intelligence: um enfoque gerencial para a inteligência do negócio. Bookman Editora, 2009.

[9] COX, R. F; ISSA, R. R. A; AHRENS, D. Management’s perception of key performance indicators for construction. Journal of construction engineering and management, v. 129, n. 2, p. 142-151, 2003.

[10] SETIAWAN, I.; PURBA, H. H. A systematic literature review of key performance indicators (KPIs) implementation. Journal of Industrial Engineering & Management Research, v. 1, n. 3, p. 200-208, 2020.